26/11/2015

EM CPI, PRESIDENTE CONFIRMA QUE USIMINAS DEVE R$ 675 MILHÕES AO BNDES

Convocado a pedido do deputado Marcelo Squassoni (PRB), Rômel Erwin de Souza confirmou, em depoimento, empréstimos de R$ 2 bilhões junto ao banco

Convocado a partir de requerimento do deputado federal Marcelo Squassoni (PRB), o diretor-presidente da Usiminas, Rômel Erwin de Souza, confirmou hoje (26) em depoimento à CPI do BNDES que a companhia contraiu R$ 2 bilhões em empréstimos, de um total de R$ 3,7 bilhões disponibilizados pela instituição. Deste valor, R$ 675 milhões ainda estão sendo pagos em parcelas pela siderúrgica. Segundo o executivo, o dinheiro foi utilizado no aperfeiçoamento da cadeia produtiva, em medidas de proteção ambiental e na aquisição de um moderno laminador para a planta de Cubatão, na Baixada Santista.

Foi nesta cidade que a Usiminas recentemente anunciou o fim da produção de aço e o consequente fechamento de 4 mil postos de trabalho diretos e cerda de 10 mil indiretos. Conforme Souza, a decisão é irrevogável, porém, temporária, com as primeiras demissões diretas ocorrendo a partir de 31 de janeiro de 2016.

Em resposta a questionamentos de Squassoni e outros deputados, o diretor-presidente da Usiminas revelou que teria condições de retomar a produção e evitar as demissões caso fosse criado um programa nacional de incentivo à exportação do aço produzido no Brasil, aliado à criação de barreirar protecionistas para frear a importação de aço estrangeiro, sobretudo o chinês. Ambas as sugestões estão em discussão no Governo Federal, segundo ele.

“Não somos contra a concorrência, apenas queremos condições iguais para tal. Com produção excedente e mão-de-obra com valor extremamente rebaixado, a China hoje é um predador econômico mundial”, salientou, exemplificando que o país asiático produz em apenas 15 dias todo o volume de aço produzido em um mês no Brasil.

Cubatão x Ipatinga
Souza lamentou a decisão de fechar o alto forno da companhia em Cubatão e disse que a medida é necessária para preservar outros 16 mil empregos. Destacou que a companhia vem sofrendo com a queda nas vendas do aço no mercado brasileiro – só a indústria automotiva foram 2,5 milhões de unidades, quando era esperado o dobro disso – desde junho de 2014, o que obrigou a redução da produção em Cubatão ao patamar mínimo antes do desligamento total.

“Ipatinga tem uma cadeia produtiva mais longa, com maior diversidade de produtos. Cubatão é mais voltada às commodities, às exportações, um setor que hoje está travado”, analisou.
Souza frisou que a empresa paralisou, porém, está pronta para retomar a produção na Baixada Santista assim que for possível. “Isso vai depender do cenário econômico. É uma questão puramente mercadológica”, garantiu.

Caixa Econômica
Em resposta a Squassoni, Souza – que prestou depoimento junto com o presidente do Conselho de Administração da empresa, Marcelo Gasparino – negou que a recente linha de crédito pleiteada pela empresa junto à Caixa Econômica Federal no valor de R$ 700 milhões seja usada para custear rescisões trabalhistas.

O deputado aguarda, ainda, documentos com detalhes dos pedidos de financiamento junto ao BNDES. “Não podemos permitir que a empresa se resuma a um terminal portuário ou um pátio de contêiner (o que foi negado pelo presidente). Vamos seguir articulando para chegar a um acordo para que o Governo consiga encontrar formas de ajudar o setor metalúrgico a não parar de uma vez por todas. O fechamento desses postos de trabalho é trágico para toda a Baixada Santista”, alertou Squassoni. A prefeita de Cubatão, Marcia Rosa, acompanhou toda a reunião da CPI, que durou três horas e meia.

Mais informações:
Assessoria de Comunicação Deputado Marcelo Squassoni
Samanta Flor - (61) 3215 5550
Tadeu Ferreira Jr. - (13) 99133-8813